os melhores de 2013 — webcomics!

Continuando a minha lista clichê dos meus preferidos do ano que passou, um dos meus tópicos preferidos: webcomics. Vou ir direto ao ponto:

NIMONA

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de Noelle Stevenson

Eu podia só dizer NIMONAAAAA aqui. Nimona não precisa de argumentos.

Mas eu vou ser legal e linkar para um artigo que eu escrevi há uma semana: aqui (em inglês) eu discuto a evolucão pela qual o quadrinho passou e porque eu acho isso maravilhoso.

 

BANDETTE

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de Colleen Coover e Paul Tobin

Eu amo ladras. Eu amo Colleen Coover. (escrevi sobre Bandette aqui)

OH JOY, SEX TOY

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de Erika Moen

Basicamente ela faz reviews de brinquedos eróticos, como sugere o título, mas mesmo que você não esteja interessado em comprar um vai gostar das histórias, piadas e honestidade. Eu amava ler o diário em quadrinhos da Erika, Dar!, e não pude evitar criar uma relação (não recíproca) de intimidade, e estava sentindo saudades das histórias dessa amiga que eu não via há um tempo.

 

Alguns quadrinhos muito bons estavam empatados para entrar na lista, então eu dei preferência aos que já estão bem consolidados e atualizam regularmente.

Você concorda comigo? Achou nada a ver? Tem mais algum pra acrescentar? Vai lá no WWAC e opine também!

(este post foi publicado originalmente em inglês no meu tumblr, aqui)

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os melhores de 2013 — série de quadrinhos impressa atual!

É aquela época do ano de novo! Preparem-se para várias listas completamente subjetivas, pessoais e ilógicas de “melhor qualquer coisa” do ano que está acabando.

No Women Write About Comics, as pessoas estão indicando os seus preferidos em várias categorias, e claro que eu também quero contribuir. Mas não é uma tarefa fácil, então eu pensei que deveria fazer o que sempre faço quando em dúvida: escrever e postar na internet.

Começando com a categoria “melhor série de quadrinhos impressa em andamento”, um peixe grande, talvez a mais concorrida. É claro que eu tive que excluir vários títulos ótimos da lista… pro WWAC, eu tenho que dar apenas três indicações. Aqui, eu me permiti falar sobre quatro quadrinhos, e deixar a tarefa difícil pra depois.

SAGA

de Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Um grande sucesso de vendas que conseguiu seduzir um alto número de fãs (inclusive eu). É uma fantasia em um cenário sci fi com muitas armas e feitiços. Eu amo os personagens, e se você já leu eu sei que você também. É simplesmente ótimo. (Eu já escrevi sobre porque você deveria estar lendo Saga aqui).

 

VELVET

de Ed Brubaker, Steve Epting e Bettie Breitweiser

Muito cedo para Velvet? Só dois números saíram até agora! É uma clara desvantagem, mas eu sempre digo sim pra histórias de espionagem. (Eu já resenhei Velvet #1 aqui).

 

LAZARUS

de Greg Rucka e Michael Lark

Foda! Sangue, ciência e traição em um cenário distópico. Bônus  para a contrução do mundo e toda a informação extra sobre fatos históricos e políticos contida na seção de cartas.

 

SEX CRIMINALS 

de Matt Fraction e Chip Zdarsky

Já escrevi bastante sobre esse, né? (aqui e aqui e comentários espalhados pela internet) É sincero, é divertido, é maluco. E um grande bônus para a melhor capa de gibi do universo de todos os tempos?! Eu não consigo acreditar que eles realmente venderam essas capas, muito muito muito amor no meu coração!! Não tenho mais nada a dizer senão “incrível”.

E é isso. Estou me sentido culpada por todos os títulos serem publicados pela Image, não foi intencional e eu não pude evitar! Eles eram simplesmente muito bons. E agora as coisas ficam meio chatas para melhor editora do ano, né? (Sério, eu sempre tento diversificar as coisas o máximo possível MAS nesse caso tinha que ser assim).

E agora eu vou ter que cortar um pra fora da lista. Vai ser uma noite longa.

A seguir: a próxima categoria, webcomics! <3

E, é claro, essa foi a minha opinião. Tem um monte de outras opiniões no WWAC, vão lá ler. E eu quero saber a sua!

(esse post foi publicado originalmente em inglês no tumblr, aqui)

Harley Quinn #0 — comentários sobre a cena polêmica

Harley Quinn Em setembro, a DC lançou um concurso que causou polêmica: para ter a chance de ganhar uma página na nova revista da Harley Quinn, os artistas deveriam enviar três desenhos, todos eles envolvendo a personagem principal tentando se suicidar. Em um deles, Harley estava em uma banheira, nua e sexualizada, segurando uma cordinha que, quando puxada, derrubaria diversos eletrodomésticos na banheira.

A DC foi irresponsável. O suicídio não é um elemento de humor, mesmo se tratando de uma personagem como a Quinn (a loucura dela é sempre o elemento de humor). E, como se não bastasse, ela não foi poupada de ser objetificada até nessa hora tão terrível.

Um bom exercício para visualizar o ridículo da situação é pensar no Coringa. Ele é o amor da Harley, uma inspiração para ela, e eles compartilham muitas semelhanças. Os dois são insanos, e volta e meia cometem crimes horríveis apenas por divertimento. Mas você consegue imaginar o Coringa nessa cena da banheira?

Pois é, escritor nenhum teria coragem de humilhar o Coringa dessa forma.

Porém, agora que a revista em questão saiu, foi possível entender melhor o contexto. A imagem da banheira não foi publicada, o que mostra que ainda resta um pouco de bom senso nesse mundo. Mas as outras, mostrando Harley tentando se suicidar em situações inusitadas, estão lá, e dá pra entender melhor aonde eles queriam chegar com tudo isso. É completamente desnecessário, mas ficou menos pior.

Pra quem não leu, Harley Quinn #0 é, basicamente, uma grande piada onde Harley ajuda a escolher o artista para a sua série. Assim, cada um dos 17 artistas ocupa uma ou duas páginas, e eles fazem várias gracinhas em metalinguagm, como o artista tentando provar que é o melhor para a tarefa, ou a personagem conversando com os autores, Amanda Conner e Jimmy Palmiotti. Em uma dessas conversas, Harley diz que tem que ir em uma reunião do Suicide Squad. Explicação: o Suicide Squad em questão é um time de vilões mercenários que fazem todo tipo de trabalho sujo para o governo e grandes empresas, incluindo tarefas muito difíceis, consideradas suicidas, e daí o nome. Mas a piada é que o tal artista novo do concurso não sabe disso, e pensa que o Suicide Squad é algum tipo de grupo de suicidas, literalmente. Então ele imagina Harley nessas situações ridículas, mas a personagem reclama, explicando que ele entendeu tudo errado.

Ou seja, dentro do contexto da revista, ficou aceitável. Ainda mostra cenas de suicídio como tentativa de fazer humor, mas é melhor do que se imaginava. A DC falhou em se explicar devidamente, em reconhecer o seu erro, em se retratar. Caso a comunicação com o público tivesse sido mais adequada, com certeza o caso seria minimizado.

Apesar de tudo, Harley Quinn é uma série sobre uma mulher co-escrita por uma mulher. Não espero muita coisa, mas estarei lendo. Harley Quinn #0 é bobo, mas divertido.

women write about comics

A partir de hoje eu também escrevo no womenwriteaboutcomics.com, um blog que vocês já deveriam estar lendo de qualquer jeito. Meu primeiro post é uma entrevista com a StrangelyKatie, uma cartunista que faz um monte de conteúdo legal pra internet, e foi muito divertido de escrever.

Carolina Mello: A lot of comics that talk about LGBT issues are for age 16+ readers. Princess Princess, though, is suitable for all ages (actually my nine-year-old sister loved it!). Do you think it is important to tell stories like those to the young? Is that something you think about when you are writing, or does it comes naturally with your style?

Katie O’Neill: I think it’s incredibly important! That makes me so happy to hear about your sister. Kids aren’t born with prejudices; they’re something they absorb from the figures and media around them. I can understand why a lot of LGBT comics do target that young adult age group, since that’s when a lot of people come to terms with their sexuality, but the whole process of normalisation and familiarising should start a lot sooner. There’s this notion that homosexual content automatically makes something unfit for children, which is just playing into the idea that it’s inherently dirty or wrong which is not true at all and really damaging. Whenever I get an email from a parent, grandparent or other relation telling me a child they read to really enjoyed the girls’ story, I feel extremely encouraged.

Vão lá ler. Agora

sex criminals, de fraction e zdarsky — um breve resumo dos meus sentimentos

Sex Criminals é uma série da Image com três edições já lançadas. Escrita pelo premiado Matt Fraction (Hawkeye) e desenhada pelo genial Chip Zdarsky, a história parece meio estranha à primeira vista. E à segunda e terceira também. Na verdade, ela é tão estranha que deixou metade dos leitores se perguntando o que o Fraction estava fazendo com a sua carreira.

Mas o que importa é: deu certo.

Sobre isso, eu fiz uma tirinha ruim que descreve os meus sentimentos:

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Em uma imagem não exatamente relacionada mas que eu julguei importante:

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Assim, sei lá, só pra dizer que o Chip Zdarsky me segue no Tumblr. E não segue você.

the sandman overture, ou o retorno triunfante de neil gaiman

Saiu hoje pela Vertigo o tão esperado prelúdio de Sandman, escrito por Neil Gaiman e ilustrado por J.H. Williams III. Overture se passa antes do arco Prelúdios e Noturnos, e promete explicar várias dúvidas sobre o sequestro do Sonho, que deu início à série original, como porque ele foi tão facilmente capturado e porque estava vestido para a guerra. A minissérie deverá ter seis capítulos, mas já foram anunciados capítulos especiais, com mais imagens, bastidores e esboços de personagens, que vão se intercalar com as edições bimestrais.

O capítulo #1 é extremamente bonito. Para mim, Williams III entra como um dos melhores artistas de Sandman, capturando bem a beleza surreal do Mundo dos Sonhos e também o horror dos pesadelos. Apesar do pouco número de páginas, por enquanto, já mostrou várias versões dos personagens mais populares da série, como a Morte, o Destino e o Corinthian. E o próprio Morpheus, que ganhou uma página quádrupla deslumbrante (adoro ver como ele se manifesta para as diferentes criaturas).

Já o Gaiman, nem se fala. Por Sandman ser uma série de sucesso, quando Overture foi anunciado, muitas pessoas acreditaram que se tratasse de uma encheção de linguiça dinheirista, sem nada pra dizer. O que não é uma opinião infundada, pois quantas vezes já vimos isto acontecer na DC? Incontáveis. Mas não, o Gaiman não. Ele sempre tem o que dizer, e Overture parece vir para somar muita coisa interessante ao universo.

velvet, de brubaker e epting

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Sabe a secretária do super-espião? Aquela que atende o telefone, anota os recados, marca os compromissos na agenda? Uma personagem bem clichê, tipo a Miss Moneypenny do James Bond, cuja maior ambição na vida é dar uns beijos no galã e que nunca ganha mais que cinco minutos de atenção. O Ed Brubaker, de tanto ver a mesma mulher nos filmes de espionagem, começou a se perguntar quem era ela, por quem todos os segredos passavam, mas da qual não se sabia nada. E se, na verdade, no meio de todos aqueles homens com nariz empinado, ela fosse a pessoa mais perigosa na sala e ninguém nem percebesse? Essa é a Velvet.

De autoria da dupla Brubaker e Epting, que em 2004 relançou Capitão América (saga Winter Soldier) e o transformou em um título de espionagem na Guerra Fria, Velvet saiu hoje pela Image.  Os desenhos do Epting são realistas, mas não tanto que desviem os olhos da história. O clima dos anos 70 é devidamente representado, e as cores sombrias da Bettie Breitweiser tem um grande papel nisso. A primeira edição cumpre bem o seu papel de chamar a atenção mas, como uma boa história de suspense, não revela muita coisa.

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A Velvet Templeton é um super-espiã — e sim, ela luta sozinha contra cinco caras armados e ganha fácil. E, apesar disso, o leitor fica achando que é tudo muito crível. A personagem é toda construída no carão de séria, no mistério, só observando de longe, e a coisa foi tão bem feita que ninguém duvida da Velvet, o que é um acontecimento raro no mundo dos super-espiões. Afinal, diferente dos outros, ela é uma boa espiã: sim, ela é a melhor, mas ninguém precisa saber disso.

 Velvet #1 tem 28 páginas e custa $2,99 na Comixology.